Certa vez, fui procurada por uma repórter de um jornal paulistano que estava fazendo uma matéria sobre racismo. Ela buscava um intelectual que pudesse falar sobre o assunto, e concluiu que eu, na condição de editora da revista Raça Brasil, poderia indicar alguém mais a contento. Indiquei Marco Frenette. Dias depois, a jornalista me ligou na redação para perguntar se eu sabia que a pessoa em questão era branca. Respondi que sabia disso havia muito tempo. A repórter, ao notar que eu não compartilhava de sua surpresa, ficou meio sem graça. Mas o autor de Preto e Branco não surpreende apenas por se ocupar dos preconceitos e das discriminações que vitimam os negros das mais trágicas maneiras. Conheço intelectuais brancos capazes de dizer coisas semelhantes às escritas por Frenette. Agora, escrever com todas as letras o que se declara apenas em ambientes e situações especiais é um ato de rara coragem. Muitos, quando abordam o racismo brasileiro, armam-se de estatísticas, fazem análises profundas, constroem textos brilhantes e, no meio disso tudo, deixam de lado os sentimentos - tanto os deles como os das pessoas de quem falam. Frenette faz justamente o oposto disso. Ele se indigna, se compromete e se envolve, provando que a emoção não pode se ausentar dessa tenebrosa história. Desse modo, ele nos mostra que, embora sempre sofrido, o caminho da conscientização nunca é tão trágico quanto o da inconsciência que faz os homens perderem a humanidade, deixando de se conhecer (e se reconhecer) na relação com seu semelhante. (Amelia Nascimento)

Autor: Marco Frenette  

Preto e Branco a importância da cor da pele
R$23,00
Preto e Branco a importância da cor da pele R$23,00

Certa vez, fui procurada por uma repórter de um jornal paulistano que estava fazendo uma matéria sobre racismo. Ela buscava um intelectual que pudesse falar sobre o assunto, e concluiu que eu, na condição de editora da revista Raça Brasil, poderia indicar alguém mais a contento. Indiquei Marco Frenette. Dias depois, a jornalista me ligou na redação para perguntar se eu sabia que a pessoa em questão era branca. Respondi que sabia disso havia muito tempo. A repórter, ao notar que eu não compartilhava de sua surpresa, ficou meio sem graça. Mas o autor de Preto e Branco não surpreende apenas por se ocupar dos preconceitos e das discriminações que vitimam os negros das mais trágicas maneiras. Conheço intelectuais brancos capazes de dizer coisas semelhantes às escritas por Frenette. Agora, escrever com todas as letras o que se declara apenas em ambientes e situações especiais é um ato de rara coragem. Muitos, quando abordam o racismo brasileiro, armam-se de estatísticas, fazem análises profundas, constroem textos brilhantes e, no meio disso tudo, deixam de lado os sentimentos - tanto os deles como os das pessoas de quem falam. Frenette faz justamente o oposto disso. Ele se indigna, se compromete e se envolve, provando que a emoção não pode se ausentar dessa tenebrosa história. Desse modo, ele nos mostra que, embora sempre sofrido, o caminho da conscientização nunca é tão trágico quanto o da inconsciência que faz os homens perderem a humanidade, deixando de se conhecer (e se reconhecer) na relação com seu semelhante. (Amelia Nascimento)

Autor: Marco Frenette