O efeito marmóreo das costas nuas de Guadalupe no vestido, num boudoir suburbano, na salinha de prova de costura, aquele homem sedoso e fortificado que de maneira alguma cabia na plástica daquela situação, esse transe caótico de significados desencadeou a imaginação rural de Sebastiana, a imaginação transnacional de Sebastiana, a imaginação vascular e atemporal de Sebastiana, e ela teve visões de um pai negro de sua infância jogando seu corpo sobre o dela, e uma mãe estupidificada morrendo de tifo, doença cheia de marcas, e a convivência com a fome, e o encontro, num banheiro de rodoviária, com sua própria solidão. A rodoviária, este lugar insensato, de tantas lembranças, retintas a ácido úrico e removedor de esmalte barato, a rodoviária, este lugar mais partida do que a chegada.

 

Em quinze contos que dilaceram amenidades e possíveis apatias, Métodos Extremos de Sobrevivência traz histórias que se passam num cenário híbrido onde a realidade prosaica e um universo povoado por mitos ancestrais revelam a existência de um campo comum habitado por inusitados personagens, que transitam perenes a sujeição. 

 

Ora ordinários passantes, ora potentes emblemas metafísicos, os personagens de Márcia Bechara vivem situações e dilemas que desafiam dualidades e aparentes contradições e, como mensageiros tanto da pureza como da corrupção, são exemplos notórios de afrontamento.

 

O hibridismo, a transformação, a metamorfose, a suposta dualidade dos termos são temas presentes em narrativas que acompanham o movimento de seres em constantes buscas pela própria mutação. O labirinto é metáfora para esta procura e para a desfragmentação das possibilidades, num tempo caracterizado pelo falta de sentido único.

 

Com capa assinada pela provocante artista plástica russa, radicada no Canadá, Marina Bychkova, e ilustrações de Tulipa Ruiz, Métodos é o terceiro livro da autora Márcia Bechara, 36 anos, mineira de Belo Horizonte radicada em São Paulo há 11 anos. A obra foi contemplada em 2008 com o Programa de Ação Cultural (PAC) do Governo do Estado de São Paulo.

 

Autor: Márcia Bechara

 
Métodos Extremos de Sobrevivência
R$19,90
Métodos Extremos de Sobrevivência R$19,90

O efeito marmóreo das costas nuas de Guadalupe no vestido, num boudoir suburbano, na salinha de prova de costura, aquele homem sedoso e fortificado que de maneira alguma cabia na plástica daquela situação, esse transe caótico de significados desencadeou a imaginação rural de Sebastiana, a imaginação transnacional de Sebastiana, a imaginação vascular e atemporal de Sebastiana, e ela teve visões de um pai negro de sua infância jogando seu corpo sobre o dela, e uma mãe estupidificada morrendo de tifo, doença cheia de marcas, e a convivência com a fome, e o encontro, num banheiro de rodoviária, com sua própria solidão. A rodoviária, este lugar insensato, de tantas lembranças, retintas a ácido úrico e removedor de esmalte barato, a rodoviária, este lugar mais partida do que a chegada.

 

Em quinze contos que dilaceram amenidades e possíveis apatias, Métodos Extremos de Sobrevivência traz histórias que se passam num cenário híbrido onde a realidade prosaica e um universo povoado por mitos ancestrais revelam a existência de um campo comum habitado por inusitados personagens, que transitam perenes a sujeição. 

 

Ora ordinários passantes, ora potentes emblemas metafísicos, os personagens de Márcia Bechara vivem situações e dilemas que desafiam dualidades e aparentes contradições e, como mensageiros tanto da pureza como da corrupção, são exemplos notórios de afrontamento.

 

O hibridismo, a transformação, a metamorfose, a suposta dualidade dos termos são temas presentes em narrativas que acompanham o movimento de seres em constantes buscas pela própria mutação. O labirinto é metáfora para esta procura e para a desfragmentação das possibilidades, num tempo caracterizado pelo falta de sentido único.

 

Com capa assinada pela provocante artista plástica russa, radicada no Canadá, Marina Bychkova, e ilustrações de Tulipa Ruiz, Métodos é o terceiro livro da autora Márcia Bechara, 36 anos, mineira de Belo Horizonte radicada em São Paulo há 11 anos. A obra foi contemplada em 2008 com o Programa de Ação Cultural (PAC) do Governo do Estado de São Paulo.

 

Autor: Márcia Bechara